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ODONTOLOGIA EM FELINOS

Os gatos por muito tempo foram considerados e tratados como cães pequenos. Hoje sabemos que a diferença entre as espécies é muito grande e há necessidade do conhecimento das particularidades dos felinos para que os mesmos possam ser tratados adequadamente e possam permanecer saudáveis. A equipe do Odontovet está preparada para atender os gatos como gatos de verdade. Conheça algumas ameaças à saúde bucal dos gatos.

Reabsorção dentária

A Reabsorção dentária pode acorrer em qualquer espécie animal, mas nos gatos, parece ocorrer numa maior incidência. Para se ter uma idéia, de cada 10 gatos, cerca de 7 tem pelo menos um dente reabsorvido durante a vida. E quanto maior a idade, as chances aumentam. Trata-se da destruição do dente (reabsorção) pelas próprias células do organismo. Geralmente, esta reabsorção começa na região próxima a gengiva e vai aumentando tanto em direção à coroa (parte visível do dente) como em direção à raiz. Esta destruição do dente está relacionada a sensibilidade e dor levando a dificuldade na alimentação.
Muitas pesquisas tem sido feitas para descobrir-se a causa das reabsorções, mas ainda não temos nada definitivo. Há não muito tempo, um estudo revelou que o excesso de vitamina D na ração dos gatos era uma das causas, no entanto, recentemente, um outro estudo contrariou esta hipótese. Além do que, felídeos selvagens também parecem apresentar reabsorção dentária e não comem ração comercial.

Como se vê na imagem ao lado, o que acontece é uma destruição progressiva da coroa e, em muitos casos, das raízes dos dentes. Um dente vivo possui muitas células capazes de perceber e transmitir sinais de dor e um processo destrutivo como este pode fazer com que o gatinho não consiga mais alimentar-se, ainda que sinta fome.
Por causa do aspecto semelhante à cárie (buraco ou cavidade no dente) dos humanos, durante muito tempo a reabsorção foi chamada de cárie dos felinos. Sabe-se hoje que são doenças completamente diferentes.
1o molar inferior esquerdo de um gato com Reabsorção dentária, onde se observa destruição de parte da coroa do dente.

Em muitos casos, o dente pode aparentemente estar normal, mas a raiz já estar bastante destruida. Por este motivo, no Odontovet, todo gatinho que passa por uma limpeza dos dentes tem todos os seus dentes radiografados para verificarmos a ocorrência de reabsorção dentária nas raízes.

Dente canino inferior direito de gato apresentando pequena hiperplasia da gengiva, mas aparentemente normal.
Radiografia intra-oral dos caninos inferiores revela grande destruição (não mais é possível ver o contorno) das raízes dos caninos inferiores (reabsorção).

Como saber se meu gato tem reabsorção dentária?

Existem alguns sinais que podem indicar a reabsorção dentária. Um dos sinais mais característicos é o crescimento exagerado da gengiva (hiperplasia) sobre uma parte ou sobre todo um dente (veja imagem ao lado).

Outro sinal importante é a dificuldade que o animal pode apresentar ao se alimentar. Muitas vezes, o proprietário nota que seu gato tem fome e procura o pote de comida. Mas ao tentar mastigar a ração, algo acontece que faz com que ele comece a gemer e, por vezes, correr pela casa como se estivesse fugindo da comida. É a dor intensa causada pela lesão reabsortiva.
Terceiro e quarto pré-molares superiores apresentando crescimento exagerado (hiperplasia) de gengiva em resposta à LROF

Dente 3o pré-molar inferior direito de gato apresentando pequena hiperplasia da gengiva, mas aparentemente normal.
Radiografia intra-oral revela grande destruição (não mais é possível ver o contorno) das raízes e parte da coroa do 3o pré-molar inferior dirieto (reabsorção).

Além disso, sangramento gengival, mau cheiro na boca e presença de tártaro podem ser indicativos de problemas importantes.
Agende uma consulta para que seu gato seja avaliado e para que possamos orientá-lo como manter a saúde oral.

Complexo gengivo-estomatite

Trata-se de uma inflamação generalizada da gengiva e bochecha dos gatos que leva a muita dor, geralmente, fazendo com que ele pare de comer, desidrate e corra risco de morte. A causa ainda é desconhecida, mas a placa bacteriana e o sistema imunológico estão envolvidos. Doenças como FIV (Aids felina) e FeLV (Leucemia felina) podem levar a imunodeficiência e contribuir para o surgimento do processo inflamatório. Estudos tem mostrado que grande parte dos pacientes que apresentam este quadro inflamatório generalizado são portadores crônicos da Calicivirose.

Vista frontal da cavidade oral de um gato com inflamação generalizada da gengiva e mucosa da bochecha, podendo se estender até a garganta.
Vista lateral da cavidade oral de um gato com inflamação generalizada da gengiva e mucosa da bochecha. Note que não há depósito de tártaro.

Este processo é muito dolorido e geralmente o paciente tem fome, mas ao chegar próximo a comida ou mesmo tentar comer, sente dor e não consegue comer. Às vezes é comum o paciente sair correndo da comida. Para se ter uma idéia da dor, imagine a dor e incômodo de uma afta. Agora, imagine se esta afta fosse gigante e tomasse toda a bochecha? Esta é a dor que eles sentem.

O tratamento ainda é inespecífico, uma vez que não temos uma causa específica. Muitos tratamentos tem sido propostos, mas nenhum ainda é capaz de resolver 100 porcento dos casos. No Odontovet, nós recomendamos como tratamento inicial um tratamento periodontal. Se neste momento, forem identificados dentes com alterações graves, dentes com reabsorção dentária, eles podem ser extraídos neste primeiro tratamento. Após o tratamento, os donos são encorajados a escovar os dentes regularmente para o controle da placa bacteriana. Em alguns casos, isto é suficiente para a regressão do quadro inflamatório. Mas em muitos casos, isto não acontece, sendo indicada a extração dos dentes que ficam atrás dos caninos (presas). Com a extração dos dentes nós temos alcançado sucesso em cerca de 80 porcento dos casos. Em casos refratários, alguns fármacos que visam modular o sistema imunológico podem ser usados ou até mesmo a extração total dos dentes. Recentemente, a cauterização com laser dos pacientes refratários tem se mostrado promissora.

Maloclusão

Os gatos, em geral, não apresentam problemas ortodônticos. Mas a raça persa, frequentemente pode apresentar desvio na posição dos dentes ou dos ossos. O diagnóstico precoce pode ser a solução em alguns casos, pois a extração dos caninos permanentes poderia favorecer que os dentes permanentes nascecem numa posição mais favorável. Caso o defeito na oclusão acometa a dentição permanentes, um tratamento ortodôntico pode ser a solução.

Vista frotal da oclusão (mordida) normal dos gatos.
Vista lateral da oclusão (mordida) normal dos gatos.
     
 
Mau posicionamento dos caninos de um paciente felino.   Aspecto final da oclusão normal deste paciente após tratamento ortodôntico.
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