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A MALFORMAÇÃO DO ESMALTE DENTÁRIO (Hipoplasia ou hipocalcificação de esmalte)

O esmalte é a estrutura mais "dura" do organismo. Cerca de 95% a 97% de sua composição corresponde a matéria mineral, também conhecida por hidroxiapatita. Este tecido forma uma fina camada sobre todos os dentes do animal, conferindo resistência, aspecto "brilhante" e a superfície lisa que já se conhece. Depois que o esmalte está formado não há mais células disponíveis capazes de produzí-lo, o que significa que qualquer perda ou alteração morfológica relacionada a esta estrutura é irreversível.

FORMAÇÃO DO ESMALTE

Basicamente há três fases envolvidas na formação do esmalte dentário. Em um primeiro momento, durante o desenvolvimento do dente, ocorre secreção e deposição de uma matriz de proteínas de esmalte. Após a estruturação desta matriz inicia-se a fase de mineralização, ou seja, começa a haver deposição de mineriais, especialmente o cálcio, que conferirá as características estruturais do tecido. Estas duas etapas ocorrem quase que totalmente ainda durante o desenvolvimento dos dentes, antes de sua erupção.
Em um terceiro estágio, o qual se matém ativo durante boa parte da vida do animal, o que acorre é a "maturação" ou critalização da matriz calcificada. Há uma reorganização dos cristais de cálcio que passam a conferir ainda maior resistência à estrutura.

ALTERAÇÕES DA FORMAÇÃO

Como em grande parte dos tecidos em desenvolvimento, há problemas que podem interferir na formação correta do esmalte. Em geral, quando o animal é acometido por um estresse intenso (causado por um processo febril, por exemplo) as fases de formação do esmalte podem alterar-se.
Além disso, se o animal sofrer um trauma importante na região onde está ocorrendo o desenvolvimento de um dente (como, por exemplo, uma fratura de maxila) o dente atingido poderá desenvolver um esmalte alterado.

Se o problema acontecer durante a fase de deposição da matriz, o defeito será chamado de hipoplasia de emalte; caso a interferência aconteça durante a fase de deposição mineral, o processo será denominado hipocalcificação de esmalte.
Na prática, não é fácil diferenciar uma alteração da outra e o tratamento para ambas é semelhante.

A malformação do esmalte dentário pode atindir vários dentes ou mostrar-se localizada a poucos elementos dentais.

IMPLICAÇÕES

Os dentes com malformação de esmalte são dentes predispostos à doença periodontal precoce. Isso de deve ao fato de que a superfície deste dentes é irregular e, muitas vezes, de textura rugosa, o que facilita o acúmulo e desenvolvimento de placa bacteriana e cálculo (tártaro). Nas regiões onde o esmalte é pouco desenvolvido ou está ausente, o dente pode estar fragilizado e mais propenso a fraturas.
Além disso, o fator estético é um agravante em virtude do manchamento provocado pela deposição de pigmentos e do aspecto "sujo" que, com o tempo, os dentes podem apresentar.

TRATAMENTO

Como já foi dito, o defeito do esmalte é irreversível. Ainda assim, é importante que se faça um controle periódico de placa becteriana e do cálculo (tártaro) em virtude da predisposição destes dentes. A prevenção é a maior aliada do animal com malformação de esmalte.
Há maneiras de se melhorar o aspecto geral dos dentes com este problema, reduzindo as irregularidades da superfície, melhorando a estética do animal e, principalmente, facilitando a higienização feita pelo proprietário.

Aspecto geral dos dentes de um cão antes e depois do tratamento de hipoplasia de esmalte

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Daniel G. Ferro
M
édico Veterinário
CRMV SP 12591
Equipe Odontovet
deferro@usp.br