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USO
DE APARELHOS ORTODÔNTICOS EM CÃES E GATOS
Os cães e gatos também podem precisar de aparelhos ortodônticos?
Sim,
pois ambas espécies apresentam problemas de oclusão errada
associadas ou não a deformidades ósseas do crânio e sua
relação com a mandíbula. É possível que estes
problemas tenham crescido muito devido a uma falha de supervisionamento
dos cruzamentos. Isto fez com que algumas raças atuais
apresentem freqüentes problemas de oclusão.
Para algumas delas, porém, estas alterações
são aceitas e consideradas normais. É o caso,
por exemplo, dos Buldogs.
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Os
cães e gatos podem usar aparelho, mas será que devem?
Esta
já é uma questão delicada pois envolve ética. Em princípio todo
o animal teria direito de ter uma oclusão perfeita ou o mais próximo
do normal, pois a má oclusão pode causar prejuízo a saúde do animal
(trauma em tecidos moles, dor, desgaste dos dentes, predisposição
maior a doenca periodontal, etc). Infelizmente, este não
é apenas um problema estético. Ao serem utilizados em exposições
e/ou para cruzamentos, estes animais "corrigidos" podem
transmitir o problema para seus filhotes, perpetuando a incorreção.
Por isso, é necessário muita cautela quando da indicação
de um tratamento ortodôntico. O proprietário deve, sobretudo,
ser informado de sua responsabilidade.
O
aparelho ortodôntico usado em animais é parecido com o usado no
homem?
O principio de movimentação é o mesmo, mas os aparelhos são
um pouco diferentes. Normalmente usamos aparelhos fixos, que podem
ser passivos (plano inclinado) ou ativáveis (expansores). Brackets,
fios ortodônticos e elásticos têm uma aplicação limitada devido
ao tamanho reduzido dos dentes, como também ao comportamento dos
animais.
Qual
a principal causa dos problemas ortodônticos?
Ainda não existem estudos bem dirigidos para determinar a causa
de todos os problemas encontrados em todas as raças. Mas existe
um consenso entre os pesquisadores de que a maior parte dos casos
esteja relacionada a fatores genéticos e/ou hereditários. Alguns
casos, por exemplo, estariam relacionados a fatores externos,
como traumas e hábitos. Em nosso atendimento no ODONTOVET, temos
notado que existe um grandenúmero de animais com histórico
de atraso na exfoliação ou retenção dos dentes decíduos (de leite),
o que faz com que os dentes permanentes erupcionem em uma posição
desfavorável. Por isso, a recomendação atual é que, ao notar
um dente permanente erupcionando e com a presença do dente
de leite ainda firme, a extração do dente de leite seja feita
imediatamente.
Em
que situações faz-se necessário o uso dos aparelhos?
Quando
a oclusão afeta a vida e a saúde do paciente. Isso pode acontecer
quando um dente fora de posição causa um trauma na gengiva ou
no céu da boca, podendo levar até a uma comunicação com o nariz;
ou quando um dente oclui sobre outro podendo levar a um desgaste,
a pulpite e a dor. Há casos em que o mau posicionamento dos dentes
facilita o acúmulo da placa bacteriana levando a inflamação da
gengiva e posterior perda do dente (doença periodontal).
Em outras situações pode haver dificuldade de mastigação e/ou
apreensão do alimento. Em cães de trabalho e guarda a aclusão
desbalanceada pode ser um importante fator predisponente de fraturas
nos dentes. Importante é lembrar que a estética, na maioria
das vezes, deve ficar em segundo plano, pois a principal preocupação
passa a ser a saúde do paciente.
Quanto tempo dura um tratamento ortodôntico no cão?
Este
é um dos grandes problemas que temos. Os tratamentos precisam
ser rápidos já que os aparelhos facilitam o acúmulo de
alimento e a formação da placa bacteriana. Caso não seja feita
higiene adequada, os problemas podem ser bem sérios. Por
outro lado, ao movimentar um dente com uma força intensa e de
forma muito rápida, também corre-se o risco de perdê-lo.
O que tentamos fazer é movimentar o maior número de dentes em
um menor espaço de tempo com um único aparelho. Em média temos
conseguido bons resultados em cerca de 3 a 4 meses.
Os cães aceitam bem o uso dos aparelhos?
Antes
de decidir por um tratamento, é preciso avaliar o temperamento
do animal, pois ele pode acordar da anestesia e "arrancar" ou
quebrar o aparelho mordendo grades e objetos. Outro detalhe importante
é a necessidade de ativação de alguns tipos de aparelhos.
Se o paciente não for dócil, fica difícil ativar, havendo necessidade
de anestesias mais frequentes. Em alguns casos, o paciente pode
parar de comer ou tornar-se agressivo devido a dor.
Herbert L. Corrêa
Médico
Veterinário
CRMV SP 7158
Odontovet
herbert@odontovet.com
Publicado em www.vidadecao.com.br
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