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Endodontia Marco A. Leon-Roman (malroman@usp.br)
M.V.Colaborador Lab.Odontologia Comparada - FMVZ/USP
M.V. Centro Odontológico Veterinário - ODONTOVET

Marco A. Gioso
Prof.Dr. Departamento de Cirurgia - FMVZ/USP
Introdução

A endodontia é definida como ramo da odontologia que estuda a forma, função, patofisiologia e terapia das afecções da polpa dentária e tecido periapical. O tratamento endodôntico é indicado sempre que as estruturas internas do dente são afetadas, como nos casos de exposição da polpa, pulpite e necrose pulpar, com a finalidade de manter a saúde do tecido pulpar, ou parte dele, revertendo a injúria dos tecidos periapicais. Dentro da odontologia veterinária, a endodontia tem grande importância devido à possibilidade que oferece de propor novas terapias para afecções dentárias cujo único tratamento preconizado a pouco tempo era a extração. Para a melhor compreensão da endodontia, faz-se necessário o estudo da anatomia, patofisiologia das afecções pulpares e os princípios das intervenções cirúrgicas mais importantes.

Anatomia


Polpa

A polpa é o tecido frouxo, de origem mesenquimal, que ocupa a cavidade interna do dente, denominada de canal pulpar. O canal pulpar presente na coroa e raiz é classificado como câmara pulpar e canal radicular, respectivamente. O tecido frouxo pulpar é composto de vasos sangüíneos, vasos linfáticos, feixes nervosos, substâncias intercelulares e células especializadas. Tem as funções formadora, nutricional, sensorial e de defesa.

A vascularização e invervação do sistema endodôntico provém de capilares e feixes nervosos que adentram o canal através das foraminas que compõe o delta apical (composto por 40 a 90 foraminas).

Os odontoblastos são células especializadas, presentes em toda a superfície da parede do canal pulpar. Tais células são responsáveis pela produção de dentina durante toda a vida do animal, promovendo o estreitamento progressivo do canal. Seu formato varia, sendo células de aspecto cilíndrico na porção coronal, cubóides na porção cervical e achatadas em direção ao ápice.

A dentina compõe grande parte do tecido duro do dente. É composta de 10% de água e aproximadamente 70% de material inorgânico, sendo o principal componente a hidroxiapatita. A parte orgânica de dentina é de 20%, sendo em grande parte constituído de colágeno tipo I (e pequena parte tipo V), fosfoproteínas, proteoglicanos, glicoproteínas ácidas, fatores de desenvolvimento e lipídios.

Os túbulos dentinários ocupam 20 a 30% do volume de dentina íntegra. Abrigam em seu interior prolongamentos citoplasmáticos dos odontoblastos (processo odontoblástico ou Fibras de Tomes). Estão dispostos de forma regular, atravessando toda a extensão da dentina, desde a junção amelodentinária e cementodentinária até a polpa. Calcula-se que hajam 40.000 túbulos dentinários por mm2, sendo que este valor oscila, sendo maior na porção coronal e diminuindo em direção apical.

A função sensorial da polpa responde a estímulos de dor. As fibras nervosas adentram o canal radicular através do delta apical, sendo as fibras desmielinizadas responsáveis pelo sistema nervoso autônomo (vasoconstrição) e as fibras mielinizadas pela sensação de dor. Próximo a camada sub-odontoblástica, as fibras sensoriais perdem a camada de mielina, estando cobertas apenas pelas Células de Schwann e membrana basal, tornando-se indistinguíveis das fibras desmielinizadas do sistema autônomo. Tais fibras formam, na região sub-odontoblástica rica-em-células, o Plexo de Raschkow, podendo alguns prolongamentos de axônios livres (sem Célula de Schwann) penetrar os túbulos dentinários. Acredita-se que o estímulo de dor se dê pelo rápido deslocamento de fluidos no interior dos túbulos dentinários frente à injúria, que provocam distorções mecânicas no tecido pulpar próximo à dentina (teoria hidrodinâmica).

Complexo Dentina-Polpa

O íntimo relacionamento entre os odontoblastos e a dentina é uma das várias razões pela qual deva ser considerada uma entidade funcional, denominada de Complexo Dentina-Polpa. A dentina secundária é formada pelos odontoblastos após a completa formação da raiz. A dentina primária situa-se imediatamente subjacente ao esmalte ou cemento. Denomina-se dentina secundária a dentina produzida após completa formação da raiz. A deposição contínua de dentina resulta numa progressiva redução do tamanho da câmara pulpar e canal radicular. A formação da dentina secundária é resultante do processo normal de envelhecimento do dente

A função de defesa dá-se pela formação da dentina terciária resultante do estímulo irritativo que afeta os processos odontoblásticos dentro dos túbulos dentinários. A dentina terciária é produzida pelos odontoblastos diretamente envolvidos no processo irritativo. Tal irritação dos processos odontoblásticos pode ocorrer em várias condições nas quais há exposição de dentina.


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